Olhar Público

Sexta-feira, 11 de Junho de 2010 - O final (?) do Ano Sacerdotal?

http://faroldeluz.files.wordpress.com/2009/06/s320x240.jpgUma sugestão
Procurei avidamente palavras e ideias que me ajudassem a terminar este ciclo, a minha semana e o conjunto geral de semanas deste Ano Sacerdotal. Rapidamente concluí que tal propósito deveria ser posto de parte porque julgo oportuno dar continuidade a esta iniciativa. Para além dos merecidos parabéns aos organizadores de «Uma semana com um padre», estou certo que seria desejável. A Igreja tem tanta beleza nas pessoas dos sacerdotes; tanta nobreza entre os seus ministros; tanta dignidade no serviço tão variado que desempenha na sociedade, que seria uma pena permanecermos calados, deixando para outros meios de comunicação a divulgação de notícias, apenas aquelas que são mais lamentáveis e tristes. Matéria para continuar esta iniciativa há com certeza muita. Por isso, coragem!

Do Coração de Jesus
O ponto alto deste dia foi, sem dúvida, a celebração da Eucaristia, solenidade do Coração de Jesus. Meditei nessa realidade, no infinito amor de Deus que se tornou presente entre nós assumindo a condição humana. Ele, verdadeiro Deus, verdadeiro Homem, partilhou a condição dos últimos e morreu entre malfeitores revelando, desta forma, o Coração de Deus. O seu amor por nós continua a ser manifesto quando a comunidade reunida celebra os sacramentos, em especial a Eucaristia. Mas isso só é possível graças à acção do ministro ordenado, o padre, aquele que participa no sacerdócio de Cristo, Bom Pastor. Para dar continuidade à obra começada, Jesus instituiu um pequeno grupo, os discípulos, aqueles que Ele escolheu, preparou e enviou para anunciar o Reino de Deus. Hoje, os ministros ordenados, cada sacerdote, é um continuador da sua obra. Nós, sacerdotes, nascemos do Coração de Jesus. Fomos escolhidos por Ele para tornar o seu Coração presente no mundo.

«Não fostes vós que me escolheste, fui Eu que vos escolhi»
Perguntam-me por vezes: «como é que foi para padre?, como é que soube que deveria ser padre?» A resposta não é simples. Seria necessário escrever um livro. É como todas as grandes coisas na nossa vida. Nasce de uma inquietação persistente, uma intuição interior que é amadurecida no silêncio e na oração e que, gradualmente, é confirmada com o decorrer do tempo. Tem também um papel importante os factores circunstanciais: o lugar onde nascemos, a família, os desafios que a vida nos oferece, os vários sinais que vão surgindo como se fosse pequenas pistas, acontecimentos inesperados que confirmam que o nosso caminho é este e não outro. Depois de vários anos, no meu caso pelo menos foi assim, descobrimos com certeza Deus que não desiste de nós e nos chama a uma missão. Podemos dizer, como Jeremias: «Seduziste-me Senhor e eu deixei-me seduzir…» (Jer. 20,7) e por mais que lutasse contra este divino encantamento, sentia que não o podia dominar. Depois, é uma questão de honestidade e de coerência, de querer viver em conformidade com as aspirações mais profundas. 

Entrei na casa de formação dos Padres Vicentinos, no Porto, tinha já 19 anos. Parece-me hoje que os primeiros tempos foram os mais difíceis até porque é preciso algum tempo para nos apresentarmos aos outros como pessoas identificadas com um projecto que não é muito comum. Surpreendi-me com algumas reacções de pessoas que julgava amigas, mas também me motivaram o testemunho daqueles tantos que se dispuseram a caminhar comigo. E o tempo passou. Quando, em Julho de 2000, foi ordenado no Funchal pelo Sr. Bispo D. Teodoro de Faria, tinha clara consciência que fazia parte do grupo dos seus escolhidos. A iniciativa foi sempre de Deus à qual eu procurei e procuro responder, na fé, com fidelidade. 

A história da vocação de um sacerdote é sempre uma história de amor. É a história de alguém que se sente profundamente apaixonado e impelido pelas coisas de Deus. Um amor que exige o homem todo, não apenas umas horas ou uma parte de si. Percebe que o mundo tem fome de Deus e está ao seu alcance torná-Lo presente, oferecê-Lo como alimento àqueles que, de coração sincero, O procuram. É capaz de dar tudo até sacrificar a sua vida em favor dos Evangelho, como o fez, por exemplo, o sacerdote polaco agora bentificado: Jerzy Popieluszko. É Deus que trabalha em nós. Somos apenas servos… 

Não poderia deixar de terminar este ciclo sem antes agradecer o convite que me foi feito para participar nesta iniciativa. Agradeço também a todas as pessoas que me enviaram mensagens. Agradeço, em particular, a todos/as aqueles/as que ao longo deste ano nos tiveram particularmente presentes nas suas orações. Todos ficamos a ganhar! Que Deus a todos abençoe.

Que Maria, mãe da Igreja, seja a inspiradora de novos caminhos que nos levam até Deus. 

Nélio Pita, CM

3 comentários a “Sexta-feira, 11 de Junho de 2010 - O final (?) do Ano Sacerdotal?”:

  1. Aninhas escreveu:

    Boa noite!
    Ao ler este ultimo texto do blog, fica o desejo que ele não acabe. Espero que tal como o Pe. Nélio sugere, os padres da nossa diocese e não só possam continuar a partilhar connosco as suas vidas com tudo o que isso significa. Porque esta é uma maneira de os podermos conhecer melhor, não só nas alegrias, mas acima de tudo nas dificuldades. É importante, que a Messe do Senhor possa conhecer os seus Pastores, possa perceber o que sentem e desejam... Acima de tudo os Sacerdotes necessitam que continuemos a ORAR por eles e também para que cada vez mais Jovens não tenham medo de deixar tudo e seguir a Cristo.
    Um bem-haja a todos aqueles que partilharam connosco as suas vidas e dessa forma, foram anuncio vivo de Cristo. Que o Senhor da Messe esteja convosco e vos santifique nos vossos ministérios.
    A quem de direito, deixo uma vez mais o apelo para que façam continuar este blog.
    Obrigada a todos. Juntos em oração!

  2. Anónimo escreveu:

    ola tambem acho que este blog deve continuar , nos que pertencemos a messe do Senhor , gostamos de conhecer o dia a dia , dos seus trabalhadores , um abraço de parabens ao padre edgar , por esta iniciativa e nao acabe com isto , ainda falta muita gente para se fazer ouvir.

  3. Anónimo escreveu:

    Sou o Jorge Quintal, 47 Anos, natural da ilha da Madeira, mais propriamente nascido em Câmara de Lobos de onde também é natural o Nélio Pita, Tocamos na mesma Filarmónica e conheci o Nélio quando ainda era adolescente.
    O Nélio era um adolescente muito atento às conversas que surgiam entre os Músicos mais velhos dentro do coreto, não tinha por habito dar opiniões na presença de toda a Banda, mas entre os colegas mais novos e quando saía-mos para os intervalos em grupos mais pequenos apercebia-me que ele por ser dos mais novos tinha opiniões fundamentadas e já com alguma maturidade, portanto não fico nada surpreendido com o dinamismo e a dedicação que ele transmite à paroquia da São Tomás de Aquino.
    É destas pessoas e mais precisamente de padres assim que precisamos . Orgulho-me muito de ter como amigo o Nélio Pita.

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