Olhar Público

Quarta-feira, 2 de Junho de 2010 - Os bons pais

Quarta-feira (dia 2), tudo igual às outras quartas: manhã passada na faculdade em seminário da Dissertação e a tarde reservada para o estágio na Casa do Gaiato e 19h00 missa na igreja paroquial. É costume depois da missa, alguns paroquianos dirigirem-se à sacristia para saudação ao padre, costume que às vezes me permite estar a par das alegrias e também das tristezas dos paroquianos. É também o momento que muitos os paroquianos procuram ter o contacto com o padre já que nem todos podem fazê-lo nos horários de atendimento por motivos profissionais, por exemplo. Eram 19h30. Depois de passar pelo Cartório, dirigia-me para a residência paroquial quando encontro dois paroquianos no adro da igreja. Enquanto conversava com eles, passa por nós um senhor e uma senhora com uma criança. E esta, quase em ataque de choro. Nisto, diz o senhor para a senhora: “habituaste fazer-lhe todas as vontades e agora vês”: Como que para aproveitar a ocasião, pergunta-me uma das pessoas com as quais conversava: “o padre que estuda a psicologia, acha que os bons pais são aqueles que fazem todas as vontades dos filhos?” . No momento primeiro respondi que duvido que haja pais que satisfaçam todas as vontades dos pais segundo nem tudo o que a criança quer pode ser benéfico para ele. Em casa ao pensar no assunto que não poucas vezes preocupa os pais, lembrei-me dum artigo que o ano passado escrevi no Boletim semanal da Paróquia com o título “Ser bom pai é fazer todas as vontades dos filhos?”. E é sobre isto que pretendo partilhar.

Na verdade, pais há que, com o medo de perderem a simpatia dos filhos, para parecerem bons com os filhos e outros ainda para não verem repetida nos filhos a “má sorte” que tiveram na infância ou adolescência, acham que devem satisfazer todas vontades dos filhos. Dizem muitos pais: enquanto poder, farei tudo o que o meu filho quiser, deixarei que os filhos façam o que bem entender. Para além de que não é possível satisfazer todas as vontades da criança, também não é saudável para o desenvolvimento da personalidade da criança fazer-lhe as vontades todas. Que os filhos sejam exercitados na prática da sua liberdade é bom e até é facilitador da construção da sua identidade, mas sempre com uma orientação baseada nos verdadeiros valores. E isto implica que os pais muitas vezes tenham de dizer NÃO. Quando dentro da sua fase de desenvolvimento, as decepções resultantes deste não dos pais, preparam os filhos a lidarem com as frustrações e conflitos existenciais do futuro, já estas fazem parte da nossa vida.

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