Olhar Público

Domingo, 6 de Junho de 2010 - Um cortejo

Todos os cortejos fúnebres são tristes. Em todos há sofrimento transformado em lágrimas e silêncio, há um sentimento violento de algo indizível, de uma dor que não se pode conter. Maior e infinita seria a dor daquela que perdera prematuramente o filho único, a razão da sua vida. Era a mulher mais triste do mundo e nada havia que a consolasse.

Era viúva, a mulher de Naim, como a mulher de Serepta. Estava acompanhada por «muita gente» que, sem esperar, à porta da cidade, depara-se com «muita gente», animada e conduzida por Jesus. Morte e vida se encontram! Mas a tristeza contagia-se rapidamente. A dor da mulher torna-se a dor de Jesus. Ele compadeceu-se profundamente. E, ao contrário da multidão impotente, n’Ele há possibilidade de uma nova vida.

Sem que ninguém o tivesse pedido e sem respeitar a tradição que proibia o contacto físico com os mortos, Jesus compromete-se com a situação: toca no caixão, talvez mesmo no falecido, e ordena-lhe: «jovem… levanta-te!». De repente, o pranto dá lugar à euforia. Algo nunca visto e totalmente inesperado acabava de acontecer diante dos seus olhos. Atónitos, reconheceram que nenhum homem poderia fazer o que acabava de ser feito. E concluem, Ele não é apenas «um homem de Deus» como Elias, Ele é um profeta, Ele é Deus. As duas multidões unem-se numa só e seguem Jesus! Para trás fica o cemitério…

Deixar-se tocar por Jesus e aceitar a possibilidade de uma nova vida! Jesus muda o cortejo das nossas vidas!

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