Olhar Público

Domingo, 6 de Junho de 2010 - "Eu acredito na Promessa de Jesus. Acredito. E isso é suficiente"

http://www.paroquiatomasaquino.com/cms2/images/stories/festaNatal2009/IMG_16.JPGA Missa das 10h30 tem como público-alvo as crianças e adolescentes, com as suas famílias, que frequentam a catequese. Hoje foi dia de encerramento das actividades. Mas porque já cheira a verão e com o fim-de-semana longo como este, notamos algumas ausências. A Eucaristia com as crianças tem sempre um toque de imprevisível. Procuro, na homilia, estar mais próximo delas e, quando possível, enceto um diálogo para, juntos, aprofundarmos as leituras proclamadas. Nem sempre é fácil. As leituras de hoje, por exemplo, falavam de mortes prematuras. Como abordar um tema deste numa época em que a morte é, para muitos de nós, um «tabu»? Falamos da vida que Jesus oferece, mesmo no caso em que tudo parece perdido. E foi bom ouvi-los dizer: «podemos ver Jesus com o nosso coração…», «e também ouvi-lo», «É «sempre nosso amigo». Depois cantámos: «Nós temos um coração… tão generoso, com tantas portas, todas abertas, para amar…». Observando a simplicidade espontânea, a alegria gratuita, a pureza sem fingimento das crianças, compreendo melhor as palavras de Jesus: «é preciso ser criança para entrar no Reino de Deus». Um desafio constante…

A tarde foi de alguma correria. Era necessário ultimar alguns pormenores para que a Eucaristia e o jantar partilhado que se seguia corresse tudo como desejávamos. A hora chegou. Às 19h30, deu-se inicio à celebração presidida pelo Sr. Bispo D. Joaquim. O ritual do Crisma foi bastante sentido por todos.

Recordo-me da caminhada feita desde Outubro. Na verdade, a preparação começara já em Julho, com os catequistas responsáveis: a Maria do Carmo, o Miguel Coelho e o Paulo Paiva. Uma equipa de luxo! Os três mosqueteiros como se auto-denominavam. Não foi um processo sempre fácil. Tivemos de unir forças, de partilhar saberes e sensibilidades para fazer face às adversidades que foram surgindo. Aprendemos uns com os outros. Aprendi muito com eles e com os formandos. Estreitamos laços e agora sentimos uma alegria resultante do consciência de um dever cumprido. Dou graças a Deus por tudo. Mesmo pelo que de menos bom surgiu mas que me permitiu aprender.

Quanto aos Confirmados, acredito que serão, a partir desta celebração, membros activos desta comunidade. Têm, com certeza, maior consciência das suas responsabilidades como baptizados, como membros de um povo sacerdotal. Serão os novos construtores da Igreja. Faço votos que sejam sempre capazes de darem o testemunho de homens e mulheres «ungidos e guiados pelo Espírito Santo» no mundo em que vivem.

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No final deste dia, não resisto partilhar contigo, caro leitor, um aspecto pessoal da minha vida: o 45º aniversário de casamento dos meus pais. Lá em casa, na Madeira, houve festa rija! A minha sobrinha e afilhada Sara também fez a Profissão de Fé. Apesar de um oceano imenso nos separar, sinto-me em comunhão com eles e, por eles, estou profundamente feliz e grato. Dou graças a Deus pelos pais bons, sábios e santos que Ele me deu: o Sr. Vasco Pita e a Sr.ª Ermita Pereira. Foram e são sempre os maiores mestres e exemplos da minha vida. Sinto também uma profunda satisfação pelos irmãos que tenho, os quatro homens e as três mulheres, com os vários filhos e filhas que Deus tem concedido à família. Há um pequeno azulejo, tão antigo quanto me lembro de existir, no quarto dos meus pais no qual um pensamento singelo escrito à mão sempre me encheu de esperança. Reza assim:

«Semeia e Cria,
Terás alegria…»

Tão simples e tão verdadeiro. Nos meus pais realizou-se esta promessa: com dificuldades, aceitaram e criaram os filhos, o melhor que sabiam e podiam. Investiram tudo. Agora vivem uma recompensa feliz até ao fim das suas vidas.


Desejava, evidentemente, ter estado com eles. Mais uma vez não me foi possível. Curiosamente, quando estou na Madeira e consulto os álbuns de fotografias dos últimos 17 anos, noto que a minha ausência naqueles pequenos documentos fotográficos é uma constante. Fisicamente, não tenho partilhado os grandes acontecimentos da história da minha família de sangue. Lembro-me, por isso, das queixas de Pedro a Jesus: «olha que deixamos tudo para te seguir!», às quais Jesus respondeu: «quem deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, no tempo presente, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, juntamente com perseguições (esta é a parte pior!), e, no tempo futuro, a vida eterna» (Mc 10,29). Eu acredito na Promessa de Jesus. Experimento, aqui e agora, a sua realização. Acredito. E isso é suficiente.

1 comentários a “Domingo, 6 de Junho de 2010 - "Eu acredito na Promessa de Jesus. Acredito. E isso é suficiente"”:

  1. Anónimo escreveu:

    Bom dia Padre Nélio.Hoje ao meditar nas suas palavras tão sábias, entendo que elas me ajudam a olhar melhor para a missão do sacerdote.Fico muito feliz pelo seu testemunho. Obrigado e que Deus o continue a abençoar.Romão (Gaeiras).

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